sábado, dezembro 09, 2006

1984 (Van Halen)

1984 (Van Halen)
Por Fábio Cavalcanti

Se considerarmos que o legítimo Van Halen é aquele que trouxe David Lee Roth como vocalista, temos aí uma excelente discografia, que apesar de poucos álbuns (6 no total), tem como melhores o primeiro ("Van Halen") e o último ("1984"). O que mais uma grande banda pode querer? Mas é claro, isso só é válido se ignorarmos os trabalhos seguintes com o vocalista Sammy Hagar e o álbum único com o Gary Cherone.

E é o álbum desta resenha, o "1984", que fechou a melhor fase da banda com chave de ouro. A banda sempre foi fiel ao seu estilo durante esta fase, mas sempre experimentava pequenos detalhes inovadores a cada álbum, os quais só podiam ser notados por ouvidos mais atentos. Em "1984", as inovações ficaram ainda mais evidentes no uso de alguns teclados e sintetizadores, mas sem exageros, o que foi uma decisão acertada.

A vinheta de abertura do álbum já coloca a eletrônica em destaque, abrindo espaço para a faixa seguinte: o clássico absoluto "Jump"! Quem não conhece essa vibrante música levada por um teclado bem "grudento" (no melhor sentido de todos), precisa de umas boas aulas de História do Rock.

Em seguida, os riffs de guitarra voltam em "Panama", mostrando que, afinal, a banda não esqueceu de suas origens e essência "guitarreira". Ao lado de "Jump", "Panama" é o outro grande clássico do álbum.

A quarta faixa, "Top Jimmy", apesar de boa, peca um pouco pela falta de peso, que não combina muito com sua batida um pouco mais acelerada. Em seguida, "Drop Dead Legs" puxa o ritmo mais cadenciado, outra marca do estilo do Van Halen.

A sexta faixa, "Hot For Teacher" foi mais um ótimo single do álbum, mas que ficou restrita ao grupo de "sucessos para fãs", provavelmente por ser muito "veloz" e frenética, longe dos modelos aceitos comercialmente. É uma pena, porque é uma das melhores músicas do álbum.

Os teclados estão de volta em "I'll Wait", que provavelmente foi feita para fazer companhia a "Jump". Mas infelizmente, essa é a faixa mais fraca do álbum. Serve apenas pra deixar registrado o segundo momento "tecladeiro" do álbum.

"Girl Gone Bad" traz o momento mais "sombrio" do álbum, com bastante peso e vibração, e as inconfundíveis técnicas criativas nos dedilhados do grande Eddie Van Halen. E fechando o álbum com maestria, temos "House Of Pain", com sua batida suingada e um riff pesado e poderoso.

Concluindo, "1984" tem elementos que "brincam" de futurista (e o próprio encarte do álbum reforça isso), mas também deixa claro que ainda é um álbum com muito daquele velho rock 'n' roll. Foi uma ótima e criativa conclusão para um conjunto de 6 impecáveis álbuns com o grande David Lee Roth.

Nota: 8

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