quarta-feira, agosto 27, 2014

[EP] Viva a Revolução (Capital Inicial)

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Como eu disse em minha resenha sobre "Fuck", da banda californiana Buckcherry, a indústria musical tem se focado cada vez mais no formato EP (extended play), o que resultou em uma teoria artística de que as bandas não precisam mais colocar "enchimentos de linguiça" em seus trabalhos, visto que os EP's podem trazer apenas as 4 a 7 músicas que "realmente importam". Mas, o que falar de um EP em que suas poucas músicas soam como "enchimentos"?

Esse é o caso de "Viva a Revolução", a estreia do Capital Inicial no mercado de EP's. Temos aqui uma espécie de continuação do caminho torto e pseudo-jovial que a banda vem exibindo desde o vergonhoso "Rosas e Vinho Tinto" (2002). Após o levemente interessante álbum "Saturno" (2012), em que a banda chegou perto de reencontrar a sua velha atitude musical e criatividade nas letras, Dinho Ouro Preto e sua trupe conseguiram a façanha de pisar na jaca mais uma vez...

O "conceito" do EP se divide em canções políticas e baladas românticas, mas sempre com um verniz sonoro mais suave, como quem quer dizer "cara, ainda sou um cara engajado, cara, mas... cara, por outro lado, eu estou em uma onda mais light também, cara". Nessa brincadeira, somos apresentados a um single insípido de folk rock intitulado "Melhor Do Que Ontem" e a um rock absolutamente sem energia - e ironicamente profético quanto à sua qualidade musical final - chamado "Tarde Demais".

Na faixa-título "Viva a Revolução", a banda tenta se aproximar do mix de pop/rock com música eletrônica (com direito trechos dispensáveis de hip hop do Cone Crew), como se quisesse atrair fãs de um Imagine Dragons da vida... Sua letra politizada acaba ficando no meio do vazio, quando percebemos que a música não traz mais do que a imagem de jovens indo à luta nas ruas com a energia de quem acabou de beber uma dose de vodka com rivotril.

Em "Não Tenho Nome" e "Bom Dia Mundo Cruel", a mistura de rock com eletrônica traz um som mais energético e promissor, seja em termos de arranjos e produção como também em suas letras, que conseguem ser engajadas dentro de uma esfera mais realista e adulta. Porém, qualquer expectativa gerada aqui acaba indo por água abaixo quando somos apresentados à balada final "Coração Vazio", canção acústica sem sal que nos traz um sentimento não muito distante do seu próprio título...

Claro que toda banda com um mínimo de ousadia merece algum ponto por tentar algo diferente. E o fato é que temos aqui um Capital Inicial que ao menos tentou algo diferente em metade de suas novas músicas, com bons resultados em apenas duas delas. Por outro lado, esse EP é apenas uma prova de que a banda precisa de mais um tempinho em estúdio antes de gritar "Viva a Revolução!" com base na qualidade do seu próprio trabalho. Quem sabe na próxima, não é?

Nota: 4

Músicas:
1. Melhor Do Que Ontem
2. Tarde Demais
3. Viva A Revolução [Part. Cone Crew]
4. Não Tenho Nome
5. Bom Dia Mundo Cruel
6. Coração Vazio
7. Viva A Revolução [versão 2 - faixa bônus]

sexta-feira, agosto 22, 2014

[EP] Fuck (Buckcherry)

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Quem tem acompanhado o cenário musical, com atenção especial aos lançamentos, deve ter notado um fenômeno que este humilde resenhista gosta de chamar de "Efeito EP". Explicando em miúdos: a dificuldade cada vez maior na comercialização de álbuns estúdio tem levado as bandas a lançarem EPs com uma média de 4 a 7 músicas cada. Entre erros e mais erros de bandas que ainda não sabem como tirar o melhor proveito desse formato, temos aqui o EP "Fuck", um verdadeiro tapa do Buckcherry na cara de... enfim, todo mundo!

Para quem não conhece, o Buckcherry é uma banda de hard rock "moderno" fundada no final dos anos 90, tendo em seu currículo seis álbuns de estúdio que não trazem mais do que excelentes rocks crus e raras baladas. Após emplacar os hits "Crazy Bitch" e "Sorry", a banda caiu em uma injusta vala do esquecimento, e agora resolveu tentar a sorte no novo mercado de EPs. O interessante aqui é o "conceito" que ronda o disquinho: a foda!

Sim, são seis faixas que tratam - direta ou indiretamente - sobre fodas ou qualquer assunto que resulte naquela incontrolável vontade de gritar "PORRA" (em inglês, "fuck" também, óbvio). Logo de cara, o vocalista Josh Todd e seus comparsas gritam "alguém fodeu comigo", no sensacional hard rock suingado "Somebody Fucked With Me". Temos aqui um potencial hit "irmão" da já citada "Crazy Bitch".

Em seguida, a banda entrega "Say Fuck It", um bem sacado cover obsceno da canção "I Love It", do Icona Pop. Com o seu refrão grudento "Não me importo, diga 'foda-se'" em cima de um riff safado de guitarra, a banda tem tudo para causar um efeito viral onde quer que seja, caso saiba divulgá-la da forma correta.

Continuando com a sutileza de um elefante em um bacanal, o Buckcherry dispara o canhão sonoro intitulado "The Motherfucker", para então diminuir a velocidade com a "rebolante" e afrodisíaca cadência de rock 'n' roll clássico aplicada em "I Don't Give A Fuck". Em seguida, o peso volta com tudo em "It's A Fucking Disaster", provavelmente a faixa mais "moderna" do álbum.

E para quem gosta de finalizar uma boa foda da forma mais frenética possível, o Buckcherry fecha seu "conceito" com o quase hardcore "Fist Fuck", desde já uma das maiores surpresas do catálogo da banda. Não me atrevo a traduzir essa última faixa nesse site de família, então deixarei que vocês a "utilizem" da forma mais conveniente em suas próprias perversões sexuais...

Após o irregular e careta álbum "Confessions" (2013), e em meio a um 2014 repleto de EP's alheios medíocres, vamos apenas esperar que o Deus do rock e grande mídia não fodam com nossas expectativas em cima deste maravilhoso manifesto musical do Buckcherry. Do contrário... bem, que se fodam!

Nota: 10

Músicas:
01. Somebody Fucked With Me
02. Say Fuck It
03. The Motherfucker
04. I Don't Give A Fuck
05. It's A Fucking Disaster
06. Fist Fuck

terça-feira, março 26, 2013

[Álbum] The Next Day (David Bowie)

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The Next Day (David Bowie)
Após 10 anos sem lançar material novo, eis que o velho camaleão do rock volta com mais um disco de inéditas. Não é de hoje que David Bowie é uma instituição do rock, um nome que representa uma variação sonora digníssima, além de uma qualidade musical absurda. E o seu novo trabalho, "The Next Day" representa, acima de tudo, um conveniente recomeço...

Sim, devemos dar pontos logo de cara a alguém que, acima de tudo, resolveu pegar um pouco de algumas das suas várias fases - mas não de todas, para a felicidade de quem aprecia uma boa homogeneidade musical -, de tal forma que não destoasse daquilo que ele vinha fazendo entre os ótimos álbuns "Heathen" (2002) e "Reality" (2003). Quanto à qualidade deste longo disco (14 faixas), aí sim a coisa fica mais discutível...

A faixa-título "The Next Day" abre o álbum com um ritmo pulsante, mas acaba se perdendo em uma linha melódica pouco inventiva e um tanto repetitiva. Em "Dirty Boys", "Love Is Lost" e "How Does the Grass Grow?", a qualidade melhora consideravelmente, nos fazendo lembrar o adorável clima esquisitão e atmosférico de alguns dos sons feitos por Bowie no final dos anos 70. Já a esquizofrênica "If You Can See Me" te levará de volta à fase industrial que marcou a fase noventista do cantor.

Entre as baladas, temos a linda e melancólica "Where Are We Now?", a flutuante "I'd Rather Be High", a suingada "Boss of Me", a envolvente "Valentine's Day", e uma quase valsinha sem graça intitulada "You Feel So Lonely You Could Die". Por fim, a sombria e etérea "Heat" pode até estar cheia de boas intenções, mas não consegue ser mais do que um razoável sonífero musical.

Entre os rocks, temos boas surpresas, como a soturna "The Stars (Are Out Tonight)" (por sinal, uma excelente escolha para single), e a divertida e convidativa "Dancing Out in Space". Por outro lado, "(You Will) Set the World on Fire" acaba soando forçada em sua tentativa de mostrar um Bowie "pesado" e direto.

"The Next Day" não vai impressionar aqueles que esperavam por uma nova grande loucura musical por parte deste que sempre foi o maior especialista em variação em todo o rock. Mas, temos aqui um "novo dia" de trabalho para alguém que não deveria ter pensado em se aposentar tão cedo. Agora, basta que o querido camaleão desenferruje de vez e lance um álbum que seja "apenas" sensacional!

Nota: 7

Músicas:
1. The Next Day
2. Dirty Boys
3. The Stars (Are Out Tonight)
4. Love Is Lost
5. Where Are We Now?
6. Valentine's Day
7. If You Can See Me
8. I'd Rather Be High
9. Boss of Me
10. Dancing Out in Space
11. How Does the Grass Grow?
12. (You Will) Set the World on Fire
13. You Feel So Lonely You Could Die
14. Heat

quinta-feira, dezembro 27, 2012

Top 2012

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Chegamos ao final de mais um ano no Rock em Análise, o que significa que está na hora de mais um "Top" dos melhores - e piores - do ano, na humilde opinião deste que vos escreve.

Vale lembrar que qualquer 'ranking' não passa de um reflexo da opinião da pessoa que o escreve, e deve ser encarado inicialmente como uma simples lista de recomendações, elaborada por alguém que pôde escutar e avaliar bastante coisa ao longo do ano.

Ao contrário das edições anteriores, o Top 2012 está mais abrangente, e possui novas categorias, além das habituais listas de melhores álbuns e músicas do ano. Espero que você curta! ;)

Let's go!

Top 10 - Álbuns:
 
1. A Different Kind Of Truth (Van Halen)

O caso do novo álbum do Van Halen é um daqueles em que podemos dizer que a espera de uma eternidade valeu a pena! Riffs nervosos, canções absurdamente espontâneas, e clima de descontração total fazem deste um dos melhores trabalhos da discografia dessa grande banda.

2. Apocalyptic Love (Slash)
Sejamos honestos: todos nós, apreciadores do Guns N' Roses, imaginamos em alguns momentos como seria a sonoridade de um novo álbum lançado por uma das duas formações clássicas da banda. O excelente resultado pode ser notado no novo álbum solo do Slash, um verdadeiro exemplar de como o hard moderno deveria soar...

3. The 2nd Law (Muse)
O Muse vinha correndo o risco de virar uma paródia de si mesmo, devido à dose cada vez mais alta de pretensão em seus últimos discos. Em "The 2nd Law", o grupo resolveu misturar mais a sua sonoridade pseudo-épica com boas pitadas de música eletrônica "intimista", o que resultou em mais um inesperado trabalho de uma das melhores bandas da atualidade!

4. Clockwork Angels (Rush)
Após muita enrolação, o trio mais querido do rock progressivo retorna com um álbum que traz guitarras "pesadas" e bem destacadas, mas sem abrir mão de certos toques mais refinados de composição e produção. E o que falar das letras bem sacadas do grande Neil Peart? Um discaço, de fato!

5. Oceania (The Smashing Pumpkins)
Inconstância é a palavra-chave na história da "banda do Billy Corgan". Em um momento de desânimo dos fãs com o futuro do Smashing Pumpkins, eis que a mente atormentada de Billy nos traz "Oceania", um trabalho bonito, sereno e digno de figurar entre os clássicos da banda.

6. This Is The End Of Control (Cherri Bomb)
A banda novata do ano é o quarteto feminino Cherri Bomb, que lançou seu primeiro álbum em 2012, mostrando que até um som simples e direto deve receber um tratamento especial e refinado, fruto de um trabalho que tem tudo para trazer as boas produções de volta ao rock 'mainstream'.

7. No Dust Stuck On You (Black Drawing Chalks)
Estes "stoners" relativamente novatos de Goiânia resolveram apostar em um som mais ambicioso e abrangente em seu terceiro disco de estúdio, sem esquecer que, no fundo, são "apenas" uma banda de rock sem frescuras. Ouça alto!

8. King Animal (Soundgarden)
Seguindo na contramão de bandas que voltam à ativa investindo em um retorno às raízes, Chris Cornell e sua trupe resolveram ir em frente, mostrando que o rótulo de banda alternativa não lhes foi concedido à toa. Esse álbum deve ser escutado com muita atenção aos detalhes...

9. La Futura (ZZ Top)
Se o Rush é o trio mais querido do progressivo, o ZZ Top é o trio mais querido do blues rock. Seu novo álbum "La Futura" mostra que, até mesmo a sonoridade mais "suja" que a banda adotou nos últimos 20 anos pode ter um sabor setentista que nos faz lembrar de alguns dos seus melhores álbuns. São 10 faixas em 40 minutos de uma "bolacha" deliciosa!

10. Boys & Girls (Alabama Shakes)
Mais uma boa banda nova, o Alabama Shakes é uma daquelas que podem se encaixar no rótulo "indie", mas optando por investir em influências de pop das antigas, soul e blues. Destaque para o belíssimo vocal de Brittany Howard. Mais retrô, impossível!

Menções honrosas:
*Monster (Kiss)
*Hot Cakes (The Darkness)
*Blunderbuss (Jack White)
*O Pensamento é um Imã (Vivendo do Ócio)


Top 10 - Músicas:

1. China Town (Van Halen)
2. Supremacy (Muse)
3. Violet Rays (The Smashing Pumpkins)
4. Legendary Child (Aerosmith)
5. Sea Fog (Keane)
6. Anastasia (Slash)
7. The Wreckers (Rush)
8. O Rei do Olhar (Cascadura)
9. By Crooked Steps (Soundgarden)
10. Shake the Ground (Cherri Bomb)


Menções honrosas: 
*Life's Twisted (Lynyrd Skynyrd)
*Count Me Out (Pusherjones)
*Doom and Gloom (Rolling Stones)


Clipe do ano:
Nothing's Gonna Stop Us (The Darkness)


DVD do ano:
Celebration Day (Led Zeppelin)

Banda revelação gringa:
Cherri Bomb

Banda revelação nacional:
Black Drawing Chalks

Vocalista do ano:
Brittany Howard (Alabama Shakes)

Guitarrista do ano:
Slash

Baixista do ano:
Glenn Hughes (Black Country Communion)

Baterista do ano:
Neil Peart (Rush)

Troféu 'Epic Win' do ano:

A boa jogada comercial do Kiss, visando muito mais os fãs, com os seus dois últimos álbuns de estúdio - incluindo o mais recente, "Monster" -, provando que bandas veteranas realmente não precisam investir em grandes mudanças no seu som depois de certo ponto de suas carreiras.

Troféu 'Epic Fail' do ano:

O fiasco do Metal Open Air em São Luís, que resultou em vários shows cancelados e problemas sérios de estrutura e segurança. O festival, que deveria ser um grandioso evento de metal, acabou se transformando em uma mostra explícita de tudo que NÃO se deve fazer na organização de qualquer show.

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Álbuns escutados:

Resolution (Lamb of God)
Born to Die (Lana Del Rey)
A Different Kind Of Truth (Van Halen)
Roses (The Cranberries)
Seven Deadly (UFO)
O Pensamento é um Imã (Vivendo do Ócio)
Noctourniquet (The Mars Volta)
Wrecking Ball (Bruce Springsteen)
Travelling (Roxette)
Stalingrad (Accept)
The Power Within (DragonForce)
Blunderbuss (Jack White)
Strangeland (Keane)
Blues Funeral (Mark Lanegan)
Aleluia (Cascadura)
Apocalyptic Love (Slash)
This Is The End Of Control (Cherri Bomb)
Choice of Weapon (The Cult)
Après (Iggy Pop)
Magic Hour (Scissor Sisters)
The Midnight Chase (Crucified Barbara)
Lex Hives (The Hives)
Hollywood Forever (L.A. Guns)
Clockwork Angels (Rush)
The Industrialist (Fear Factory)
Firebirth (Gotthard)
Riot Avenue (Crazy Lixx)
Born Villain (Marilyn Manson)
Sexual Harassment (Turbonegro)
Americana (Neil Young)
Psychedelic Pill (Neil Young)
Living Things (Linkin Park)
Oceania (The Smashing Pumpkins)
Dark Roots of Earth (Testament)
O Embate do Século (Ultraje a Rigor / Raimundos)
Best in Show (Jackyl)
Last of a Dyin' Breed (Lynyrd Skynyrd)
Hot Cakes (The Darkness)
Away From The World (Dave Matthews Band)
La Futura (ZZ Top)
Battle Born (The Killers)
The Sound Of The Life Of The Mind (Ben Folds Five)
Rock And Roll Is Black And Blue (Danko Jones)
The 2nd Law (Muse)
Monster (Kiss)
¡Uno! (Green Day)
¡Dos! (Green Day)
¡Tré! (Green Day)
House of Gold and Bones Part 1 (Stone Sour)
King Animal (Soundgarden)
Death Rattle Boogie (The Datsuns)
Music from Another Dimension! (Aerosmith)
Not Your Kind of People (Garbage)
Afterglow (Black Country Communion)
No Dust Stuck On You (Black Drawing Chalks)
Boys & Girls (Alabama Shakes)
Thunder Dope (Matanza)

quarta-feira, outubro 03, 2012

[Show] Dr. Sin (Groove Bar, Salvador, 30/09/12)

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Salvador nunca foi um grande "palco" de shows de bandas já consagradas. Mas, em um daqueles raros momentos especiais, a cidade recebeu os paulistas do Dr. Sin, em uma legítima festa 'hard rocker' no agradável ambiente do Groove Bar - mais conhecido entre os providos de bom senso e maturidade musical como o "reduto das bandas covers" da capital baiana.

Em primeiro lugar, vale citar a desnecessária polêmica em torno do preço médio de R$40 pelo ingresso, como se não vivêssemos uma realidade em que tal preço não chega a ser considerado um absurdo, em qualquer outra cidade do país. De toda forma, uma boa quantidade de pessoas compareceu ao local, o que trouxe um fim digno ao suposto problema.

Lo Han
Às 20h, após um desnecessário atraso de duas horas - vale ressaltar que o show ocorreu em um domingo -, a banda soteropolitana Lo Han sobe ao palco para fazer a abertura do show. Apostando em um acertadíssimo repertório de músicas próprias (aprendam, típicos frequentadores do Groove Bar!), o sexteto mostrou que aprendeu muito bem as lições deixadas pelos seus ídolos dos anos 70, além de evidenciar a sua ótima química a nível instrumental.

Destaque para o divertido e carismático vocalista RB, que conseguiu convencer o público a criar uma intimidade imediata com as suas novíssimas canções. Se há algo que qualquer banda precisa aprender a fazer, ao apresentar uma música nova ao vivo, é justamente isso aí! Após uma hora de show, o grupo deixou o palco, e deixou também a promessa de que algo muito bom vem por aí...

Dr. Sin
Às 21h30, o Dr. Sin sobe ao palco, para a alegria de fãs, que já se encontravam em estado de êxtase. O trio abriu o show com a veloz "Animal", faixa-título do seu novo álbum, e emendou faixas já conhecidas do grande público, como "Time After Time", "Fire", "Howling in the Shadows" e a semi-balada "Miracles".

A única ressalva do set list ficou por conta da não inclusão de "May The Force Be With You" e "Those Days", justamente os dois 'singles' do novo trabalho da banda. Por sinal, o público aceitou muito bem a igualmente nova "Lady Lust", candidata forte ao posto de novo 'hit' do trio.

Outro ponto fraco foi o aparente desconforto de Eduardo Ardanuy com algo que ainda parece ser um mistério para todos aqueles presentes no local. Após aproveitar duas oportunidades de sair do palco, e descarregar suas frustrações no álcool, o guitarrista forneceu uma performance mais divertida e energética na segunda metade da apresentação.

Dr. Sin
Os irmãos Andria (vocal/baixo) e Ivan Busic (bateria/vocal), por outro lado, se divertiram ao extremo, e consequentemente divertiram todo o público na mesma proporção. E o grupo mostrou, mais uma vez, que sabe "brincar" com seus instrumentos, especialmente nas suas típicas 'jams' instrumentais - recheadas de pequenas homenagens aos grandes nomes do rock.

Chegando ao final do show, o Dr. Sin fez todo mundo cantar de cabo a rabo o sucesso "Emotional Catastrophe". Outro momento inusitado foi o belo clima intimista com um cover de "It's Alright" (Black Sabbath), cantado por um sorridente Ivan Busic. E para fechar o show em clima de festa... "Futebol, Mulher & Rock n' Roll", claro!

Dr. Sin
Em quase duas horas de show, o Dr. Sin mostrou mais uma vez que o rock nacional possui ao menos alguns músicos que entendem bem a importância de se fazer uma apresentação profissional e "redonda", sem perder a boa dose de alto astral. E que os caras voltem em breve!

Foto Lo Han: Luciano Peixoto
Fotos Dr. Sin: Miguel Paixão

quarta-feira, julho 25, 2012

[Álbum] Gov't Mule (Gov't Mule)

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Gov't Mule (Gov't Mule)
A primeira metade dos anos 90 se mostrou promissora para os apreciadores de southern rock e hard rock setentista. Em paralelo ao emergente grunge, bandas como The Black Crowes e The Quireboys seguiram um caminho mais "vintage", com uma sonoridade que sugava o que havia de melhor no setor mais "blueseiro" do rock. Uma das bandas mais bacanas desse período foi o Gov't Mule.

Formado pela dupla Warren Haynes (guitarra/vocal) e Allen Woody (baixo) - como um projeto paralelo à sua banda principal, o The Allman Brothers Band -, juntamente com Matt Abts (bateria), o 'power trio' Gov't Mule despertou o interesse dos apreciadores do "rock das antigas" com o seu auto-intitulado álbum de estréia, lançado em 1995.

Para quem não sabe, o disco em questão foi gravado "ao vivo no estúdio", com direito a poucos retoques de pós-produção. Resumindo: um álbum de rock sem frescuras! A vinheta de abertura, "Grinnin' in Your Face" (cover de Son House), cantada "à cappella", evidencia bem a crueza do trabalho da banda, o que leva o ouvinte a um arrepio inevitável em "Mother Earth", um blues rock "viajante" e poderoso.

Com seus 'grooves' suaves - mas não menos energéticos -, o grupo também mostra uma excelente química para 'jams', não apenas na ótima faixa instrumental "Trane", mas também nos pequenos detalhes de faixas como "Rocking Horse", "Monkey Hill", e na arrepiante "Mule". Se as letras não são o forte do trio, o instrumental compensa a falha em grande estilo!

A homogeneidade do álbum chega a desnortear até um ouvinte mais experiente, que pode acabar apreciando o cover de "Mr. Big" (do Free) como se fosse mais uma das faixas do grupo. E após o "balanço" de "Left Coast Groovies", o trio encerra sua viagem musical com a extensa "World of Difference", que parece ter sido feita sob medida para não cansar o ouvinte.

Dos abundantes solos de guitarra e vocais "bluesy" de Warren Haynes, passando pela cozinha já madura de Allen Woody e Matt Abts, o Gov't Mule mostrou em sua estréia uma identidade que soube captar o melhor da alma musical dos grandes 'power trios', em uma época que desprezava o "bom e velho rock 'n' roll". Escute sem medo!

Dica do autor: o álbum em questão foi lançado no Brasil pela Die Hard Records. Se você é um apreciador de cds, dê uma conferida!

Nota: 9

Músicas:
1. Grinnin' in Your Face
2. Mother Earth
3. Rocking Horse
4. Monkey Hill
6. Temporary Saint
6. Trane
7. Mule
8. Dolphineus
9. Painted Silver Light
10. Mr. Big
11. Left Coast Groovies
12. World of Difference

quinta-feira, julho 19, 2012

E o rock perdeu um dos seus 'lordes'...

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Os últimos anos se mostraram tensos para os apreciadores do rock das antigas em geral... Do rock 'n' roll ao hard rock e metal, temos casos cada vez mais frequentes de mortes de artistas - ou de doenças entre os mesmos, o que também nos deixa com os nervos à flor da pele.

No dia 16 de julho de 2012, perdemos o grande tecladista Jon Lord, vítima de embolia pulmonar, decorrente de câncer no pâncreas, aos 71 anos de idade. Para quem ainda não sabe (não creio que seja possível, mas nunca se sabe...), Jon Lord é mais conhecido como um dos membros fundadores do Deep Purple.

Apenas por ter participado de boa parte da história - e discografia - de uma das maiores bandas de rock do mundo, já podemos ter uma idéia da sua importância para a história da música, de um modo geral. Responsável por um som absurdamente singular, e por belas misturas de rock com música clássica, Jon Lord influenciou basicamente quase todos os artistas de hard rock e heavy metal.

"Quase todos?", você pergunta. Respondo citando exemplos de bandas e artistas que lamentaram pela sua morte nos últimos dias: Black Sabbath, Iron Maiden, Metallica, Guns N' Roses, Dream Theater, Whitesnake, Rick Wakeman, Joe Bonamassa, além de cada membro que já passou pelas inúmeras formações do Deep Purple. E isso é apenas o começo...

Da sublime - e arrepiante - camada de teclado em "Lazy" às sutilezas de "Sometimes I Feel Like Screaming", Lord mostrou uma versatilidade sem igual em uma banda que acabou se tornando versátil "à força", graças às suas inúmeras mudanças de formação. De sobra, até o seu velho órgão Hammond se tornou uma marca do rock 'n' roll.

O "tato" de Lord para a música erudita ficou ainda mais claro no disco "Concerto for Group and Orchestra", também gravado ao lado do Deep Purple. Pode não ser uma das obras mais divertidas da banda, mas não deixa de ser um marco na história do hard rock, pela sua ousadia e senso de inventividade.

Em sua carreira "pós-Purple", Jon Lord continuou explorando a sua veia erudita, mas sem esquecer de onde veio... E para quem ficou curioso quanto aos seus últimos trabalhos, vale destacar o inusitado Jon Lord Blues Project, que lançou um álbum ao vivo em 2011.

Termino este humilde texto recomendando a todos que relembrem o trabalho de Jon Lord, dessa vez sem aquela "atenção secundária" que acabamos dando aos integrantes da "cozinha" de uma banda. Na verdade, Jon Lord foi um membro fundamental do Deep Purple - de modo que sua falta já podia ser sentida nos últimos álbuns da banda. E caso você ainda não o conheça, pesquise sobre o cara, o mais rápido possível!

quinta-feira, maio 03, 2012

Grandes Covers - Parte 3

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No mundo da música, covers podem ser encontrados em álbuns dos mais diversos artistas. Infelizmente, o ouvinte mais "leigo" pode cair facilmente na armadilha de apreciar a genialidade de determinada música sem perceber que a mesma se trata de... um cover!

Citarei aqui alguns covers que chamaram atenção - tanto do público quanto da crítica - pela sua boa execução, criatividade ou refinamento em sua produção. O que está valendo aqui são aquelas versões que trouxeram algo de realmente "novo" e autoral, de modo que se torna difícil - ou impossível - considerar tais músicas como sendo exclusivas dos artistas originais.

Vamos lá!

With a Little Help from my Friends (Joe Cocker, 1968). Versão original: The Beatles, 1967.

Começando logo com um "clássico de um clássico", temos aqui o cover que marcou o nome de Joe Cocker na história do rock. Com uma mistura de gospel com blues, tal versão conseguiu realmente se distanciar - no melhor sentido de todos - da versão original dos Beatles. Tenho certeza de que você já escutou essa pérola em algum lugar...

I Just Don't Know What to Do With Myself (The White Stripes, 2003). Versões originais: Tommy Hunt, 1962, e Dusty Springfield, 1964.

Engraçado como um ouvinte da "nova geração" deve conhecer este que é um dos mais bem sucedidos singles do White Stripes, sem ter a mínima idéia de que o mesmo se trata de um cover. Do belo pop da Dusty Springfield ao blues rock garageiro do White Stripes, podemos dizer que a canção continua bastante... "sexy", digamos assim.

Step On (Happy Mondays, 1990). Versão original: John Kongos, 1971.

Assim como ocorreu com o cover do White Stripes citado anteriormente, a "turminha indie" sempre ignorou a contagiante canção "He's Gonna Step On You Again" de John Kongos, em função da "clássica" releitura dos Happy Mondays - curiosamente abreviada para "Step On". Seja como for, a eletrizante versão do grupo britânico se tornou um exemplo perfeito do que era o movimento 'Madchester'.

Mr. Soul (Rush, 2004). Versão original: Buffalo Springfield, 1967.

O Rush é uma daquelas bandas que realmente não precisam de covers em sua discografia. Por outro lado, quando o trio resolveu apostar em um mero EP de covers - "Feedback", de 2004 -, o resultado foi um punhado de canções que nos levam de volta ao Rush "hard rocker" do início dos anos 70. Um bom exemplo é a peculiar versão para "Mr. Soul", do Buffalo Springfield.

Superstar (Sonic Youth, 1994). Versão original: Delaney and Bonnie, 1969, e Carpenters, 1971.

Para quem já conhecia o grande sucesso pop "Superstar", deve ter sido chocante perceber como a letárgica versão do Sonic Youth conseguia se diferenciar da versão dos Carpenters, mas sem perder o apelo mais acessível da canção.

Cum On Feel the Noize (Quiet Riot, 1983). Versão original: Slade, 1973.

Um bom exemplo da transição do "glam rock" setentista para o "hair metal" oitentista pode ser notado no hino "Cum On Feel the Noize". Enquanto a versão original do Slade puxa para o rock 'n' roll mais cru, o cover feito pelo Quiet Riot é uma síntese perfeita da grande "festa musical" que era o tal "hard farofa". Temos aqui dois clássicos, cada um em sua década...

Agora, como diria o Guns N' Roses no encarte do seu álbum de covers "The Spaghetti Incident": faça um favor a você mesmo e procure as versões originais!

Clique aqui para ler a 1ª parte de "Grandes Covers".
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terça-feira, abril 24, 2012

Discografia comentada: Supergrass

OBS. (2024): após mudanças de visões, passei a opinar em outros veículos. Cliquem aqui. Grato!
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Os apreciadores de uma determinada banda não se contentam em conhecer apenas os maiores singles lançados pela mesma. E se você conheceu tal banda através dos seus maiores 'hits', é claro que também fará questão de escutar alguns dos seus melhores discos - ou todos eles! Nesta seção, farei "viagens" rápidas e introdutórias pelas discografias de bandas que fizeram - ou farão - história com seus registros de estúdio. Nesta edição:
Supergrass!

Formada em 1993, inicialmente como um 'power trio' liderado por Gaz Coombes, a banda britânica Supergrass despontou para o então emergente cenário do Brit Pop na segunda metade dos anos 90. Apesar de ser considerada uma banda "one hit wonder" - graças ao sucesso "Alright -, é certo que o grupo atingiu um bom status "cult" entre os apreciadores de rock alternativo em geral. Em 2010, a banda encerrou as atividades, deixando seis álbuns bem distintos em sua discografia.

# I Should Coco (1995)
O sensacional álbum de estréia do Supergrass é uma prova de que se pode fazer música alucinada (em todos os sentidos!) de qualidade. Velocidade e vocais "esquisitos" marcam faixas como "Caught By The Fuzz" e "Mansize Rooster", além do grande 'hit' "Alright", e são provas de que o rock pode ser extremamente criativo e original, mesmo quando a proposta é a de fazer "apenas rock 'n' roll". Clássico!

# In It for the Money (1997)
Dividindo opiniões com os apreciadores do rock mais cru do primeiro álbum, o álbum "In It for the Money" é considerado por muitos como a verdadeira obra prima da banda, visto que o trio encontra aqui um estilo mais variado, e mais "controlado" em suas adoráveis esquisitices. Da pesada "Richard III" à letárgica "Late in the Day", temos aqui o Supergrass dizendo ao mundo "Encontramos nosso som!".

# Supergrass (1999)
O terceiro trabalho do grupo vai além da maturidade mostrada no álbum anterior. Estranhamente auto-intitulado, este disco investe em uma sonoridade mais "light", o que resulta em um som mais viajado e não tão divertido quanto o que a banda vinha fazendo até então... Vale pelo grudento rock "Pumping on Your Stereo" e pela imprevisível balada "Moving".

# Life on Other Planets (2002)
Três anos depois, a trupe de Gaz Coombes "renasce" como um quarteto (com o tecladista Rob Coombes), e faz um "mix" certeiro da sua antiga essência "alto astral" com uma sutil sofisticação musical, o que resulta em um álbum surpreendente e digno de figurar entre os melhores trabalhos da banda. As contagiantes "Grace" e "Seen the Light" certamente mereciam o mesmo sucesso dos seus primeiros singles...

# Road to Rouen (2005)
Se o álbum anterior já trazia uma certa sofisticação musical, é em "Road to Rouen" que o grupo extrapola de vez nas possibilidades de um experimentalismo à la Beatles, e concebe um álbum com uma proposta mais pomposa e eletroacústica, mas que acaba sendo o mais arrastado e irregular da sua discografia. Ironicamente, seu grande destaque é a balada quase minimalista "St. Petersburg".

# Diamond Hoo Ha (2008)
Para quem acha que uma banda deve exagerar cada vez mais no experimentalismo, "Diamond Hoo Ha" é um verdadeiro tapa na cara, por trazer o rock mais "monolítico" da discografia do Supergrass. Por outro lado, este é considerado por muitos fãs como o álbum mais fraco do grupo, por carecer de variação e toques mais "artísticos" em seu conjunto. De toda forma, rocks vigorosos como a faixa-título e "Bad Blood" encerram bem a discografia deste ótimo quarteto.

terça-feira, março 27, 2012

Entrevista: Desrroche

OBS. (2024): após mudanças de visões, passei a opinar em outros veículos. Cliquem aqui. Grato!
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Formada no já longínquo ano de 2002, na cidade de Salvador, a Desrroche despontou nos últimos anos com o seu rock industrial calcado em influências góticas no seu som, e certa dose de "horror" em suas performances.

Após muitos shows e algumas gravações, o quinteto ganhou um novo público com a sua apresentação na edição de 2012 do Palco do Rock, o tradicional festival dos roqueiros no carnaval de Salvador.

Confira a entrevista concedida pelo vocalista Lex Pedra ao Rock em Análise.

# Como surgiu a idéia de formar uma banda de rock industrial em uma cidade que não oferece tantas oportunidades para bandas desse estilo?

A idéia inicial era criar um trabalho que fosse distinto do tradicional com informação simples e direta cantada em português o que era muito pouco explorado por aqui na Bahia, na verdade começamos a montar as composições injetando elementos das nossas influências sem rotular ou limitar o estilo da banda. O titulo de rock Industrial não foi nada intencional nem tão pouco proposital isso veio com o tempo, estamos sempre fundindo batidas e sonoplastia nas nossas composições, o industrial é o estilo que está mais próximo das referencias direcionadas a Desrroche hoje.

É de se imaginar a dificuldade em manter uma banda de rock aqui em Salvador-Ba e se falar de rock industrial que é um gênero muito pouco explorado no Brasil as oportunidades são muito poucas mesmo, em nossa cidade ainda é um território deficiente de boas casas para shows, o espaço na mídia local ainda é muito restrito e o que temos tentamos aproveitar e explorar da melhor maneira possível.

# Quais são as suas principais influências?

Quando se trata de influencia é muito bom ressaltar que não há uma linha a ser seguida, temos o nosso dia a dia em comum e com todas as dificuldades e vitórias que envolvem o ser no seu habitat, essas são as principais influencias se tratando das letras, mas temos as nossas referencia como as bandas Rammstein, Marilyn Manson, Ozzy, Nine Inch Nails, Rob Zumbie, Alice in Chains, Deathstars, Sepultura, Ratos de Porão, Alice Cooper, Zé Ramalho, Cordel do Fogo Encantado e mais algumas que fazem parte da nossa raiz musical.

# O que inspira a banda durante o processo de composição de novas músicas?

A religião, a degradação humana, os conflitos da nossa sociedade, a agressão do homem a natureza, e a resposta da natureza para com a agressão sofrida, na verdade há uma gama de fatores que envolvem uma inspiração não há nada que determina e que direcione a banda, o que mais acontece em estúdio em momentos de composição é a energia que nos invade nas frases cantadas e das notas tocadas a emoção coletiva e fator principal quando a música toca no espírito de cada um de nós, é muito inspirador e muito importante é onde olhamos um para o outro e dizemos: A forma é essa!

# Como pretendem gravar e divulgar novos sons no futuro, considerando a atual situação da indústria fonográfica?

Nessa era de downloads e uploads e considerando que o CD já é em uma “mídia morta” a indústria fonográfica vem sofrendo as conseqüências pela demora de atualizar e desenvolver uma estratégia para reaver o seu espaço onde o valor tanto para fazer quanto para vender era de extrema exploração ao artista e ao seu público, a internet hoje, eu vejo como uma grande arma que pode ser usada tanto para salvar quanto para destruir, com a tecnologia e a informação mais acessível temos a facilidade de gravar e apresentar o trabalho de forma independente, mas há um risco muito grande nesta investida pois a banalidade na internet acaba deixando o artista exposto e vulnerável e isso é um perigo para quem não sabe lidar com isso.

Já temos novas músicas sendo montadas, desta vez vamos lançar um single, não vamos gravar um álbum como fizemos no CD Se eu morresse amanhã, pois tivemos um custo considerável para preparar 05 faixas, onde nós sabemos que o retorno é de longo prazo e na velocidade que as coisas acontecem eu acredito que se conseguirmos lançar a música, ficará com uma qualidade maior pela atenção aos detalhes, mais rentável e o mais recompensador disso é que, quando a banda for executar a música nova no palco já não será mais tão nova porque o publico vai para os shows na expectativa de ouvir e cantar a música junto com a banda e a divulgação com certeza vamos tentar atingir o maior numero de pessoas através das redes sociais e todo tipo de mídia disponível.

# O que vocês tentam oferecer como diferencial ao público em seus shows?

Desde a primeira aparição da Desrroche sempre adotamos a mesma receita, sempre levamos para o palco além da música a nossa performance visual que é irmã gêmea da música, o teatro sempre envolveu a banda nas interpretações das não consigo cantar uma música sem interpretá-la fisicamente não tentamos limitar os nossos sentimentos e movimentos quando estamos no palco nos envolvem e com a música e com certeza expelimos toda essa energia para o publico, temos momentos significante nas músicas por exemplo O portador onde o palco é perturbado com dançarinas de tribal fusion um envolvimento muito sensual e hipnotizante deixando o publico eufórico com os seus movimentos marcados e acentuados pela banda.

No mais recente show do Festival Palco do Rock 2012 levamos mais algumas inovações para o palco. Na música Enola Gay, que reporta o bombardeio da Hiroshima e Nagasaki, levei uma “bazuca com fogos de artifício” para o palco interagindo e interpretando além de um lança chamas usado por mim na ultima músicas do repertório, tivemos mais um elemento surpresa onde houve uma intervenção de um personagem mascarado, acorrentado e manipulando fogos com a mãos e atuando com uma moto-serra, levando para o palco mais entretenimento e performance e interpretação da música além do grande destaque da produção este ano, com de pontos de fogos transformando o show em um grande espetáculo, nunca visto no maior festival de rock que podemos considerar que é o maior festival da America latina pelo seu formato e data de acontecimento.

Acreditamos que todas essas iniciativas sejam um grande diferencial e a melhor forma de entreter e divertir o nosso publico, é muito diferente de uma banda que sobe no palco com os seus instrumentos plugam faz o show e desplugam e fim de show , não somos contra a estes tipos de shows só estou tentando apontar a diferença de uma banda "simples" para a Desrroche que sempre leva para o palco elementos para compor cenário sempre com uma temática, uma equipe de produção muito dedicada que faz com quer as nossas idéias aconteçam então não é só uma banda no palco é uma equipe onde cada um é responsável por seu setor, onde a idéia final é proporcionar espetáculos para quem está nos assistindo.

# Como representantes do rock industrial no Brasil, já escutaram outras bandas do gênero por aqui? Em caso positivo, o que acham do trabalho dessas bandas?

Aqui em Salvador a referencia de rock industrial que tenho é a banda Modus Operandi que faz um tipo de música experimental, única e inusitada levando para o palco ferramentas e extraindo sons dentro das músicas como furadeiras, chapas de aço e etc., trabalhamos juntos em muitos eventos e festivais. Eu particularmente não tenho muitas referencias de bandas deste gênero em nível nacional de própria autoria, já dividimos palco aqui em Salvador com a banda Maldita (RJ) onde são próximos do que fazemos e conheço algumas bandas covers, acredito que existem bandas boas deste gênero fazendo trabalho serio pelo Brasil, mas infelizmente ainda não tive a oportunidade de conhecer e eles não tiveram a oportunidade de se expandir em um volume maior assim como a Desrroche vem buscando o seu espaço há 10 anos.

# Vocês sofrem algum tipo de preconceito por parte de novos ouvintes?

Há uma realidade explicita quanto a este questionamento por incrível que pareça até mesmo contradizendo a sua pergunta, nós somos mais aceitos pelos "novos" do que pelos "antigos" ouvintes de rock, acredito por estamos fundindo elementos eletrônicos e sintetizados no rock isso acaba atraindo as pessoas que tem uma mente menos preconceituosa, respeitosa e flexível voltada para o universo da música rock mundialmente falando, não podemos ignorar e evolução de cada espécie assim também como a evolução de cada gênero musical, não podemos fechar os olhos e ouvidos para algo que já está acontecendo e se transformando.

Alguns nos direcionam com um tom de sacarmos e ironia por usarmos maquiagens, acessórios, pinturas às vezes mascaras para interpretar alguma música, temos muito cuidado com essas pessoas, pois sabemos que por traz daquelas palavras há um propósito de provocação e até mesmo uma dose de ciúmes pela atitude e coragem que temos de fazer a nossa arte do nosso modo independente das criticas.

Eu fui educado musicalmente ouvindo de Janis Joplin, The Doors, Kiss, Alice Cooper até o gênero mais agressivo como Sepultura e Samael, sempre conseguir assimilar as emoções envolvidas em cada gêneros do rock e trago isso comigo até hoje e tento passar isso na Desrroche.

Muitos roqueiros das “antigas” que não gostavam da Desrroche por levarmos um trabalho diferenciado e inovador e por não conhecer direito a banda, mas quando alguns passou a observar melhor viraram nossos amigos e fãs, ainda tem alguns que ainda “torcem o bico”, isso é comum e respeitamos a posição e o gosto de cada um.

# Vocês estão abertos a possíveis mudanças de sonoridade em trabalhos futuros ou preferem manter sempre a mesma essência musical?

Na Desrroche há uma flexibilidade para composição como eu tinha dito antes, não há uma linha a ser seguida não há um rotulo e sim referencias e se um dia a banda sentir que deve mudar algo isso vai ser feito de modo que não tenhamos que perder a essência, o importante para a banda é que façamos algo que todos fechem os olhos e sinta a música nas suas entranhas, sempre vamos compor músicas distintas sempre evitamos fazer um trabalho onde as musicas se pareçam tanto com a outra onde você ouve a primeira faixa de um CD e na décima faixa está tudo parecido e enjoativo.

# Quais medidas vocês tomam, com o objetivo de manter a banda sempre unida, focada e interessada no trabalho em grupo?

Realmente o trabalho em grupo não é nada fácil, o foco é a direção da banda, procuramos sempre estar juntos o mais constante possivel independente de ensaios e shows, tentamos nos aproximar uns dos outros saber sempre como o outro está, dar apoio sempre que possível extra banda, sempre fortalecendo o clima de amizade e família dentro da banda, sabemos que sempre há momentos tensos dentro das reuniões onde queremos sanar alguma dificuldade, mas é um momento sensível e de amadurecimento evolutivo tanto do integrante citado quanto para a banda, cabe cada um absorver a informação discutida e usá-la de forma inteligente para corrigir os problemas e seguir em frente, em alguns momentos preferimos nos reunir, conversar sobre as nossas vidas, beber juntos e discutir os novos projetos para com a banda do que ficar trancado dentro do estúdio mais de três horas fazendo música sem se importar com o lado espiritual e psicológico de cada um, pois a Desrroche depende muito desses dois elementos para tocar os projetos há frente, porque o que fazemos vai muito alem de uma “simples nota”.

# Quais dos seus objetivos como banda vocês acham que já atingiram, e o que ainda esperam conseguir no futuro?

Nessa estrada de 10 anos conseguimos criar nossa própria identidade, conseguimos executar todos os projetos pautados com bastante persistência e resistência, a cada dia nós conquistamos mais pessoas com a nossa arte, a cada show somamos simpatizantes e ainda estamos na batalha para concretizar e solidificar os próximos trabalhos, aqui em Salvador passamos pelo centro cultural do Pelourinho muitas vezes, já tocamos por 07 anos no Palco do Rock, isso é muito satisfatório, pois a quantidade de público chega a ser de três mil pessoas por noite . Nessa passagem vimos muitas bandas nascerem, agonizar e morrer e sempre nos seguramos uns nos outros criamos um alicerce entre nós para que não acontecesse o mesmo com a Desrroche.

O futuro? Nós sempre idealizamos, escrevemos e projetamos, mas na verdade o que a Desrroche almeja é mostrar o seu trabalho para o Brasil e para o mundo, queremos que o Brasil saiba que aqui em Salvador existe uma banda como a Desrroche e mostrar para o mundo a força que existe aqui, queremos expandir a nossa arte para o maior número de pessoas, queremos que mais pessoas vejam, ouçam e sintam a Desrroche.

# O Rock em Análise agradece pela entrevista, e deixa este espaço final em aberto para qualquer comentário adicional...

Estamos muito honrados em estar aqui passando as informações sobre o nosso trabalho, queremos agradecer de coração a oportunidade que você nos proporcionou, sei que em algumas respostas ainda ficou faltando algo para ser esclarecido, mas o espaço foi suficiente para iniciarmos uma conversa mais profunda futuramente. Para os leitores deste espaço, peço com nossa humildade mais um pouco de atenção para com as bandas locais do seu estado e do nosso país vamos valorizar o que está sendo feito na nossa terra, vamos tentar nos unir mais, vamos amadurecer o conceito de gêneros e subgêneros dentro do rock 'n' roll onde nós sabemos que na verdade não existe tal apartheid se tratando da ideologia rock que sempre nos levou a liberdade e união, vamos nos espelhar nas grandes bandas, nos grandes festivais onde todos os estilos de rock se encontram e fazem uma grade celebração a vida.

Ouvir a Desrroche, ver a Desrroche, sentir a Desrroche! E tudo que você já viu e ouviu vai se tranfomar e abrirá um grande leque de opções em um horizonte inexplorado.

Conheça o som da banda Desrroche:


MySpace Desrroche:
http://www.myspace.com/desrroche

quarta-feira, março 07, 2012

[Álbum] Montrose (Montrose)

OBS. (2024): após mudanças de visões, passei a opinar em outros veículos. Cliquem aqui. Grato!
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Montrose (Montrose)

No dia 03/03/2012, o rock perdeu o grande guitarrista Ronnie Montrose, vítima do câncer de próstata, aos 64 anos de idade. Os não-iniciados no universo do rock 'n' roll certamente nunca ouviram falar no cara, e devem ter estranhado as inúmeras declarações de luto de grandes artistas - Slash, Sammy Hagar, Glenn Hughes, Dee Snider, etc. -, que ainda citavam um certo "disquinho" do guitarrista, intitulado "Montrose".

Formada no início dos anos 70, a banda Montrose trouxe em seu primeiro 'line-up' o cantor Sammy Hagar - que viria a fazer sucesso como o segundo vocalista do Van Halen, nos anos 80. Em 1973, o grupo lançou o álbum "Montrose", uma verdadeira pérola do então recém-nascido hard rock. Agora sejamos sinceros: Ronnie foi um ótimo guitarrista, mas nenhum dos seus álbuns seguintes obteve o êxito artístico do seu disco de estréia.

Agora, falemos sobre o disco em si. O riff da faixa de abertura "Rock the Nation", juntamente com a sua batida agitada e seu orgulhoso refrão, mostram muito bem o que está por vir: uma porrada atrás da outra! Já "Bad Motor Scooter" alterna entre momentos cadenciados e momentos mais agitados, em uma verdadeira viagem sonora, sem nunca perder o peso e as boas dinâmicas do hard rock.

O rock 'n' roll mais "dançante" também fala alto no álbum, seja na "pedrada sonora" de "I Don't Want It", ou nas absurdamente divertidas "Good Rockin' Tonight" e "One Thing on My Mind", as quais podem arrancar um belo sorriso até de um metaleiro "do mal", tanto pelas suas letras descompromissadas, quanto pelos seus ótimos arranjos.

O som mais "heavy" predomina na acelerada "Space Station #5", mantendo sempre uma adorável sofisticação musical. Já o som mais cadenciado marca o clássico malicioso "Rock Candy", sendo este um verdadeiro hino para shows em grandes estádios. A última faixa, "Make It Last", finaliza este incrível álbum com um clima mais melódico e contido, mas sem perder sintonia com a proposta mais energética das faixas anteriores.

Curto, direto, sem tropeços, e quase totalmente cru, "Montrose" é uma verdadeira aula de rock 'n' roll, hard rock, heavy metal e... enfim, boa música! Para aqueles que já ouviram algumas das bandas mais clássicas de hard rock e heavy metal, surgidas após o lançamento desta "bolacha", é um deleite descobrir que cada uma destas oito músicas trouxe algo que as influenciou diretamente. Confira você mesmo!

Finalizo esta humilde resenha dizendo apenas "R.I.P. Ronnie Montrose"!

Nota: 10

Músicas:
1. Rock the Nation
2. Bad Motor Scooter
3. Space Station #5
4. I Don't Want It
5. Good Rockin' Tonight
6. Rock Candy
7. One Thing on My Mind
8. Make It Last

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Grandes Covers - Parte 2

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No mundo da música, covers podem ser encontrados em álbuns dos mais diversos artistas. Infelizmente, o ouvinte mais "leigo" pode cair facilmente na armadilha de apreciar a genialidade de determinada música sem perceber que a mesma se trata de... um cover!

Citarei aqui alguns covers que chamaram atenção - tanto do público quanto da crítica - pela sua boa execução, criatividade ou refinamento em sua produção. O que está valendo aqui são aquelas versões que trouxeram algo de realmente "novo" e autoral, de modo que se torna difícil - ou impossível - considerar tais músicas como sendo exclusivas dos artistas originais.

Vamos lá!

Baker Street (Foo Fighters, 1998). Versão original: Gerry Rafferty, 1978.

O Foo Fighters lançou ótimos covers como 'lados-b' ao longo da carreira, mas destaco aqui a releitura do famoso hit "Baker Street" (mais um da série "eu já ouvi essa em algum lugar"), em uma versão bastante "hard", que te deixará com o riff principal da música na cabeça por horas e horas...

You Really Got Me (Van Halen, 1978). Versão original: The Kinks, 1964.

Este incrível cover da igualmente incrível canção do The Kinks é uma prova perfeita de que o bom e velho rock 'n' roll pode se reinventar até em uma situação na qual a diferença entre duas versões de uma música se encontre apenas na dose de peso aplicada na segunda. E bote peso nisso!

This Flight Tonight (Nazareth, 1973). Versão original: Joni Mitchell, 1971.

Não, eu não vou abordar aqui o famosíssimo cover feito pelo próprio Nazareth para a chata "Love Hurts" (The Everly Brothers). Prefro citar "This Flight Tonight", uma bela canção folk da cantora Joni Mitchell, que ganhou um arranjo "cavalgado" de hard rock na versão feita pelo Nazareth. E cá entre nós, a Joni Mitchell pode ser um nome forte do folk rock, mas essa versão do Nazareth é bem mais bacana, não?

Mrs. Robinson (The Lemonheads, 1992). Versão original: Simon & Garfunkel, 1968.

Ainda na onda do "folk rock" que se transformou em rock 'n' roll, temos o "radiante" (sem viadagem) cover feito pelo Lemonheads para este clássico do Simon & Garfunkel. Impossível escutar esse inspirado cover sem bater palmas, e sem desfazer um inevitável sorriso estampado no rosto ao longo da música. Comprove!

What a Wonderful World (Joey Ramone, 2002). Versão original: Louis Armstrong, 1968.

A "versão punk" feita por Joey Ramone para "What a Wonderful World" acabou ganhando contornos comoventes, pelo fato de ter sido lançada pouco tempo após a sua morte. De toda forma, o cover é bem criativo, e combinou bem com o lado mais sensível desse ícone do rock.

Umbrella (Manic Street Preachers, 2008). Versão original: Rihanna, 2007.

Sim, estou falando mesmo de "Umbrella", aquele famoso hit "chiclete" da Rihanna! E sim, o Manic Street Preachers provou que é possível transformar uma música irritante em um delicioso rock, com um inesperado tempero pós-grunge em seus novos arranjos. Vale a pena dar uma conferida!

Agora, como diria o Guns N' Roses no encarte do seu álbum de covers "The Spaghetti Incident": faça um favor a você mesmo e procure as versões originais!

Clique aqui para ler a 1ª parte de "Grandes Covers".

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Discografia comentada: Made in Brazil

OBS. (2024): após mudanças de visões, passei a opinar em outros veículos. Cliquem aqui. Grato!
⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠ ⚠

Os apreciadores de uma determinada banda não se contentam em conhecer apenas os maiores singles lançados pela mesma. E se você conheceu tal banda através dos seus maiores 'hits', é claro que também fará questão de escutar alguns dos seus melhores discos - ou todos eles! Nesta seção, farei "viagens" rápidas e introdutórias pelas discografias de bandas que fizeram - ou farão - história com seus registros de estúdio. Nesta edição:
Made in Brazil!

Muita gente não sabe, mas a banda paulista Made in Brazil está entre as mais antigas do Brasil, quando se fala de rock. Formada pelos irmãos Oswaldo Vecchione e Celso Vecchione no final dos anos 60, e marcada por incontáveis mudanças em sua formação, o grupo lançou apenas oito álbuns de inéditas, mas deixou seu nome marcado entre os apreciadores do mais puro rock 'n' roll nacional. Se você ainda não ouviu falar nos caras, a hora é agora!

# Made in Brazil (1974)
O primeiro álbum do Made in Brazil mostra um grupo que ainda está tentando moldar seu estilo, tanto a nível de sonoridade quanto a nível de produção. O interessante é que a banda conseguiu deixar bem claro, através de cada música, que todos os seus integrantes se divertiram horrores neste processo. Como resultado, este 'debut' conseguiu seu espaço entre os discos mais clássicos do rock nacional.


# Jack o Estripador (1976)
Contrariando algumas expectativas, o álbum "Jack o Estripador" traz um pouco mais de peso e uma produção mais direta do que a do álbum de estréia. Pode-se dizer que a banda tinha acabado de encontrar a sua veia mais "hard rocker", embora esta ainda se encontrasse em seu estágio inicial...




# Paulicéia Desvairada (1978)
Mais uma vez, contrariando as expectativas daqueles que apreciaram o direcionamento musical do segundo álbum, o 'Made' mostrou, através de "Paulicéia Desvairada", o caminho mais inusitado da sua carreira até então: uma sonoridade mais "light", com rocks de letras mais maduras e um bom número de baladas. Como o resultado foi apenas mediano, o grupo voltou a se focar mais naquele velho rock 'n' roll...


# Minha Vida É Rock and Roll (1981)
Com os pés no chão novamente, Oswaldo Vecchione e companhia lançaram "Minha Vida É Rock and Roll". Apesar do seu título quase auto-indulgente, o álbum se mostrou como um trabalho consistente de hard rock, com uma produção sem firulas, além de músicas realmente grudentas. Definitivamente um dos melhores trabalhos da banda!



# Deus Salva... O Rock Alívia (1985)
Em 1985, o hard rock dominava o cenário musical mundial. O "Made" aproveitou a onda e lançou seu álbum mais pesado: "Deus Salva... O Rock Alívia". A produção é absurdamente crua - ao ponto de trazer alguns momentos de "clipping" -, mas o resultado final é um "crocante" disco de rock "com atitude", daqueles que podem satisfazer as necessidades de qualquer pessoa que aprecie uma música sem frescuras.


# In Blues (1992)
Após o seu primeiro longo período de inatividade criativa, o Made in Brazil resolveu se "reinventar", ao apostar em um som calcado no blues rock. O resultado é o mediano álbum "In Blues", que foi gravado ao vivo, mas funciona como um disco de estúdio. Apesar da sua boa proposta, o resultado final é um disco lento, longo e arrastado, com poucos traços da antiga dinâmica musical do grupo.


# Sexo, Blues & Rock 'n' Roll (1998)
Seis anos se passaram até que o grupo finalmente lançou "Sexo, Blues & Rock 'n' Roll", o segundo álbum da sua fase mais "blueseira". Mas, ao contrário do que aconteceu no álbum anterior, a banda solidificou com maestria o seu blues rock, o que resultou em um álbum divertido, bem produzido e com uma boa dose de canções "sacolejantes". Temos aqui mais um trabalho de destaque na discografia do grupo.


# Rock de Verdade! (2008)
Após absurdos 10 anos sem lançar material novo, o Made in Brazil lançou "Rock de Verdade!", seu álbum mais recente até o momento. Oswaldo Vecchione e sua trupe parecem ter tratado este projeto com o devido carinho, visto que toda a essência "rock e blues" do Made in Brazil está condensada ao longo do disco. Se este for o último trabalho do 'Made', a sua discografia estará muito bem encerrada!

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Grandes Covers - Parte 1

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No mundo da música, covers podem ser encontrados em álbuns dos mais diversos artistas. Infelizmente, o ouvinte mais "leigo" pode cair facilmente na armadilha de apreciar a genialidade de determinada música sem perceber que a mesma se trata de... um cover!

Citarei aqui alguns covers que chamaram atenção - tanto do público quanto da crítica - pela sua boa execução, criatividade ou refinamento em sua produção. O que está valendo aqui são aquelas versões que trouxeram algo de realmente "novo" e autoral, de modo que se torna difícil - ou impossível - considerar tais músicas como sendo exclusivas dos artistas originais.

Vamos lá!

Train Kept A-Rollin' (Aerosmith, 1974). Versão original: Tiny Bradshaw, 1951.

Essa música de Tiny Bradshaw foi "coverizada" por vários artistas, sendo que a versão do Yardbirds é a mais conhecida. Mas, a versão do Aerosmith se destaca ainda mais por trazer a essência de cada integrante em seus mínimos detalhes sonoros. Não é à toa que esta versão é tratada como um 'hit' do Aerosmith, e continua firme e forte nos shows da banda.

Hallelujah (Jeff Buckley, 1994). Versão original: Leonard Cohen, 1984.

Quem nunca escutou "Hallelujah", eternizada pelo falecido Jeff Buckley, em milhares de filmes e seriados ao longo dos últimos 18 anos? Este é um dos raros casos em que o cover "suga" a alma da composição de tal forma que consegue superar a versão original, em todos os sentidos! Ouça, compare com a versão original, e comprove!

Summertime Blues (Blue Cheer, 1968). Versão original: Eddie Cochran, 1958.

"Summertime Blues" já era um 'rockabilly' de sucesso em sua versão original, mas o Blue Cheer conseguiu transformar a canção em seu único grande 'hit', graças à sua incendiária versão, lançada no seu álbum de estréia "Vincebus Eruptum". Mais hard rock, impossível!

I Am The Walrus (Oasis, 1994). Versão original: The Beatles, 1967.

Lançado como um mero lado-b, o cover que o Oasis fez para "I Am The Walrus" tinha tudo para ser um verdadeiro fiasco. Porém, ao contrário do que se esperava, sua versão mais "pesada", crua e acelerada - e absurdamente direta - se transformou em um dos hinos de shows da banda.

Wicked Game (HIM, 1998). Versão original: Chris Isaak, 1989.

Sejamos sinceros: quantos roqueiros conseguem suportar o marasmo de "Wicked Game", grande sucesso pop do cantor Chris Isaak? Quase nenhum, eu diria. Mas, para o espanto de todos, a banda finlandesa HIM conseguiu transformar a enjoativa balada em questão em um arrepiante mix de hard rock e pós-grunge. Não poderia ser mais brilhante...

All Along the Watchtower (The Jimi Hendrix Experience, 1968). Versão original: Bob Dylan, 1967.

Nenhuma matéria sobre grandes covers poderia deixar de fora a criativa releitura que o próprio compositor fez questão de "pegar emprestada" pra tocar em seus shows, não é? Preciso dizer mais alguma coisa?

Agora, como diria o Guns N' Roses no encarte do seu álbum de covers "The Spaghetti Incident": faça um favor a você mesmo e procure as versões originais!

sexta-feira, dezembro 30, 2011

TOP 2011

OBS. (2024): após mudanças de visões, passei a opinar em outros veículos. Cliquem aqui. Grato!
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Bem-vindos ao Top 2011 do Rock em Análise! Em primeiro lugar, digo que este foi um ano de ótimos álbuns e músicas! Sim, apesar de ter escutado menos do que de costume, devo dizer que muitos trabalhos me impressionaram ao longo deste ano - o que resultou, inclusive, na volta das "menções honrosas", logo após o tradicional Top 10.

Para quem ainda está perdido, o "esquema" aqui é bem simples: temos a lista dos melhores álbuns e melhores músicas do ano, além de algumas menções honrosas, e também a citação da pior música e pior álbum do ano.

Como sempre, os comentários sobre cada álbum falam mais alto do que esta simples descrição, então vamos lá!

Top 10 - Álbuns:

1. Wasting Light (Foo Fighters)
Após uma fase "baladeira" que estava começando a dar sono, o Foo Fighters volta a "chutar bundas" - com força - em "Wasting Light". Conciso, inspirado e bem produzido, este é um álbum que nos traz apenas um pensamento: It's only rock 'n' roll, but we all LOVE it! E ouça alto!

2. All You Need Is Now (Duran Duran)
O Duran Duran é um exemplar raro daquilo que existe de mais fino no pop/rock. Em "All You Need Is Now", a banda retorna às suas raízes "new wave", mostrando que seu velho estilo nunca soará datado enquanto seus integrantes conseguirem gravar um álbum em que todas (isso, todas!) as músicas sejam singles em potencial.

3. Suck It and See (Arctic Monkeys)
Os garotos do Arctic Monkeys estão crescendo, mas nada os impede de intensificar aquela veia "indie fofinha" que resultava em músicas tão "saborosas" em seus dois primeiros álbuns. Impossível chegar ao fim de "Suck It and See" sem um belo sorriso no rosto. :)

4. Quid Pro Quo (Status Quo)
Quem disse que uma banda não pode impressionar em seu 29º (!!!) álbum de estúdio, sem mudar absolutamente nada em seu estilo? O Status Quo conseguiu tal feito - e com louvor - em "Quid Pro Quo", uma pérola que poderia figurar facilmente entre seus melhores trabalhos!

5. Noel Gallagher's High Flying Birds (Noel Gallagher)
Tá certo que Noel Gallagher era bem mais interessante "ao lado" do seu irmão no Oasis, mas sua genialidade como compositor ainda se mostra bem evidente no High Flying Birds. Ótimas músicas, aliadas a uma produção bastante refinada, fazem deste um trabalho que funciona muito bem em uma carreira solo.

6. Forevermore (Whitesnake)
Se vocês pensaram que o trabalho anterior do Whitesnake foi o seu "canto do cisne", saibam que se enganaram completamente! Em "Forevermore", David Coverdale e cia. se superaram com inspiradas canções daquele bom e velho hard rock, provando que ainda possuem lenha para queimar... se quiserem, claro!

7. Mylo Xyloto (Coldplay)
"Mylo Xyloto" é o álbum mais fraco do Coldplay. E que diabos este disco faz neste top 10? Nada além de mostrar que uma ótima banda não perde seu "mojo" tão facilmente... E, apesar do seu estilo ter mudado drasticamente, suas lindas melodias "arrepiantes" continuam lá, firmes e fortes!

8. Música Crocante (Autoramas)
O Autoramas sempre foi uma banda bastante divertida, apesar de certas irregularidades, tanto em termos de produção dos seus álbuns quanto na qualidade de algumas músicas. Em "Música Crocante", o trio finalmente acertou em cheio, em todos os sentidos! Como o próprio título indica, temos aqui uma seleção de canções realmente "deliciosas"!

9. Kairos (Sepultura)
Quem disse que o Sepultura já se encontrava em sua própria... hum, sepultura? Piadinhas à parte, o grupo continua "afiado" quando o assunto é thrash metal de qualidade. "Kairos" é um álbum que soa bastante atual, e ainda traz muito daquela essência crua que marcou seus melhores discos - incluindo ótimos solinhos do Andreas Kisser. Bang your head!

10. Evanescence (Evanescence)
Outra banda um tanto irregular, o Evanescence ainda não havia lançado nada de realmente arrepiante... até agora! Em "Evanescence", Amy Lee e sua trupe revelam um lado mais "solto" e menos "dramático", o que resulta em um álbum que mistura muito bem o peso com a sensibilidade, na medida certa. Escute sem preconceitos!

Menções honrosas (não necessariamente nessa ordem):

Quarteto de Cinco (Quarteto de Cinco)
I'm with You (Red Hot Chili Peppers)
2 (Black Country Communion)
What If... (Mr. Big)
Chickenfoot III (Chickenfoot)

Top 10 - Músicas:

1. Dear Rosemary (Foo Fighters)
2. Every Teardrop Is a Waterfall (Coldplay)
3. Under Cover Of Darkness (The Strokes)
4. Girl Panic! (Duran Duran)
5. She's Thunderstorms (Arctic Monkeys)
6. Dust To Gold (Status Quo)
7. Everybody's on the Run (Noel Gallagher)
8. What You Want (Evanescence)
9. Forevermore (Whitesnake)
10. Kindness (Ryan Adams)


Prêmios Framboesa (piores do ano):
Pior álbum: Reverse Tripped (Vains of Jenna)
Pior música: Smoke On The Water (Vains of Jenna)





Álbuns escutados:

What If... (Mr. Big)
Who's Got Mine? (Rhino Bucket)
The King Is Dead (The Decemberists)
Different Gear, Still Speeding (Beady Eye)
Carnavelhas 2 (Velhas Virgens)
Collapse into Now (R.E.M.)
The King of Limbs (Radiohead)
Forevermore (Whitesnake)
Dancing Backward in High Heels (New York Dolls)
All You Need Is Now (Duran Duran)
Odiosa Natureza Humana (Matanza)
Angles (The Strokes)
Reverse Tripped (Vains of Jenna)
What Did You Expect From The Vaccines? (The Vaccines)
Wasting Light (Foo Fighters)
Big Dogz (Nazareth)
Charm School (Roxette)
Suck It and See (Arctic Monkeys)
Rockaholic (Warrant)
Call to Arms (Saxon)
Quid Pro Quo (Status Quo)
Future Primitive (The Vines)
Kairos (Sepultura)
Fly From Here (Yes)
2 (Black Country Communion)
Green Naugahyde (Primus)
Black and White America (Lenny Kravitz)
I'm with You (Red Hot Chili Peppers)
Animal (Dr. Sin)
Welcome 2 My Nightmare (Alice Cooper)
Carcaça (Carro Bomba)
Rocked & Ripped (BulletBoys)
Tropical Splash (Copacabana Club)
Evanescence (Evanescence)
Post Mortem (Black Tide)
Chickenfoot III (Chickenfoot)
Revival (The Answer)
Velociraptor! (Kasabian)
The Hunter (Mastodon)
A Dramatic Turn of Events (Dream Theater)
Kicking & Screaming (Sebastian Bach)
The Sea of Memories (Bush)
Ashes and Fire (Ryan Adams)
Noel Gallagher's High Flying Birds (Noel Gallagher)
2120 South Michigan Ave. (George Thorogood)
Mylo Xyloto (Coldplay)
Lulu (Lou Reed & Metallica)
Thirteen (Megadeth)
Veroz (Maglore)
O Inevitável (Tomada)
Here and Now (Nickelback)
Eclipse (Journey)
The Taking (Loaded)
Música Crocante (Autoramas)
Baixo Augusta (Cachorro Grande)
Quarteto de Cinco (Quarteto de Cinco)