quinta-feira, agosto 25, 2011

Como analisar um projeto paralelo

Uma das maiores injustiças do mundo do rock é a análise equivocada das obras lançadas por um artista que está investindo em um projeto paralelo - seja uma nova banda ou uma carreira solo. Se aquele é um trabalho que traz uma nova "marca", qual seria a diferença entre aquela banda (ou carreira solo) e uma banda formada por novos músicos?

Muitas pessoas se fazem a pergunta supracitada de forma inconsciente, mas acabam chegando à conclusão de que o projeto paralelo de um artista deve ser analisado de forma comparativa com seus trabalhos anteriores, como se o novo projeto fizesse parte de uma essência musical que deve ser continuada ou totalmente esquecida!

A discussão em questão se torna ainda mais pertinente, graças ao crescente número de "supergrupos" surgidos nos últimos anos, sendo que quase todos foram recebidos com certa frieza pelos fãs das antigas bandas dos membros envolvidos em cada projeto. No final das contas, as pessoas queriam apenas escutar a sonoridade da extinta banda anterior do artista, ou algo absurdamente diferente de qualquer coisa já feita pelo mesmo...

Se você curte stoner rock, por exemplo, vai me dizer que não acharia incrível o som de uma banda como Them Crooked Vultures, se esta fosse formada por músicos novos? Caso ainda não tenha escutado, conheça agora:



O que falar então de uma nova banda que soasse como o poderoso "tanque" de hard rock Chickenfoot? É bem melhor analisar dessa forma do que perder tempo vendo essa "festa musical" como um retrocesso dos maduros músicos participantes. E se você nunca ouviu falar, confira agora mesmo:



E quanto ao "quase 'sleaze rock'" do Velvet Revolver? Será que precisamos mesmo exigir desses caras um álbum que soe como aquele "disquinho" clássico de 1987? Deixe aquela banda de lado e se amarre nessa outra banda:



Tá certo que o Audioslave possui claras semelhanças com os projetos iniciais dos seus integrantes, mas podemos considerá-los como uma nova banda que soube pegar o melhor daqueles grupos. Veja como se faz uma excelente reciclagem musical:



Voltando um pouco mais no tempo, vale citar a banda Traveling Wilburys, que soube transformar a essência dos músicos envolvidos em algo bastante divertido! Conheça:



Se existisse um rótulo chamado "grunge progressivo", o Mad Season seria a principal banda do gênero, mesmo sendo formada por músicos que se consagraram em seus projetos "principais". Tenha uma idéia desse som:



Os amantes de indie rock certamente sabem apreciar a decisão de um certo vocalista/guitarrista, de fazer um som diferente de sua banda "principal" através dos projetos The Raconteurs e The Dead Weather. Conheça o segundo:



OBS.: a não citação dos "projetos principais" dos artistas acima foi proposital. Se você não os conhece, mantenha essa "doce ignorância" por mais um tempinho e aprecie os sons indicados.

Tudo bem que é difícil se desprender totalmente das comparações, mas vale a pena se esforçar para considerar um projeto paralelo como algo tão independente quanto uma banda formada por músicos que mal saíram do berço. Garanto que suas análises musicais serão muito mais justas - e extremamente divertidas - após essa mudança de perspectiva. Tente!

Um comentário:

Fernanda Habibe disse...

Muito bom seu post. Vale fazer um dia um post sobre carreiras solos, ou você já fez?

Das bandas citadas eu só curto mesmo o som do Them Crooked Vultures, só tem fera, de três excelentes bandas, por sinal.

ps: a não citação das bandas foi proposital :P

bjão.