quinta-feira, abril 14, 2011

A força do nome frente às mudanças de sonoridade

Até que ponto o nome de um artista veterano (ou mesmo "veterano") influencia em uma análise daquele álbum ou música diferente que você está escutando? Faço essa pergunta após ler a milésima discussão sobre o "injustiçado" (cof cof cof) "Chinese Democracy" do Guns N' Roses, álbum que é defendido pelos fãs como um trabalho que deve ser analisado como se fosse de outro artista. Argumento válido? Não exatamente...

Sejamos realistas: é quase impossível escutarmos algo prestando atenção unicamente à música nua e crua. Certos fatores externos sempre vão nos influenciar, seja a época da gravação, o tempo que esperamos até o lançamento do disco, ou, especialmente, o nome ao qual nós já associamos uma determinada essência musical - mesmo que sejamos bastante ecléticos.

Além do já citado "Chinese Democracy", seguem alguns exemplos de álbuns "experimentais" (muita atenção às aspas, caro leitor) em que o nome do artista influencia bastante em uma análise mais profunda do seu conteúdo musical:

Álbum: Howl (Black Rebel Motorcycle Club)
Diferencial: suave e bastante acústico, ao contrário dos seus outros discos, que são sujos e elétricos.

Álbum: Lost Highway (Bon Jovi)
Diferencial: country rock, ao contrário dos seus outros discos, que puxam mais para o hard rock.

Álbum: Load (Metallica)
Diferencial: heavy metal bastante acessível, ao contrário da maioria dos seus discos, mais puxados para o thrash metal.

Álbum: Adore (Smashing Pumpkins)
Diferencial: sonoridade e letras bem intimistas, ao contrário dos seus outros discos, que alternam entre momentos leves e pesados.

Álbum: 90125 (Yes)
Diferencial: pop/rock oitentista e AOR, ao contrário dos seus outros discos, que são obras de rock progressivo.

Agora, independente da opinião deste que vos escreve, acerca destes trabalhos, pense: se estas obras podem ser consideradas boas, sob o ponto de vista puramente musical, onde fica o verdadeiro senso crítico musical nessa história? Você dirá sempre que a pessoa "não captou" a obra corretamente, apenas porque pensou no nome e no currículo musical da banda? Tal forma de análise parece louvável em termos "artísticos", mas não passa de um exercício de preguiça mental!

Se você está meio perdido, comece analisando coisas simples, como a química da banda ao tocar aquele tipo de música, ou mesmo se o trabalho soa bem na discografia da banda naquele ponto da sua carreira. Não subestime também suas expectativas (boas ou ruins) em torno de um álbum recém lançado, use-as à vontade! E isso é apenas o começo...

No final das contas, em seu exercício de livre análise musical dessas obras tão peculiares, apenas certifique-se de que a música em si continua sendo prioridade, apesar de tudo.

E caso você se lembre de mais álbuns que possam ser adicionados aos exemplos citados acima, basta acrescentá-los na parte de comentários.

2 comentários:

Fernanda Habib disse...

Muito interessante o teu ponto de vista Fábio, concordo, eu mesmo jamais compraria um album como o Ummagumma, se este não fosse do Pink Floyd.

Realmente, há muito mais fatores há ponderar em relação a um album do que a simples música em si.

bjão.

kika bruxinha disse...

GOSTEI muito do comentário feito ao meu blog,e gostei do seu blog em sí,e obrigado pela visita viu...sou de salvador sim,rs
me add no msn:iule_cavalcante@hotmail.com
beijão