segunda-feira, outubro 05, 2009

God & Guns (Lynyrd Skynyrd)

God & Guns (Lynyrd Skynyrd)
Por Fábio Cavalcanti

Se alguém tivesse dito para qualquer fã do Lynyrd Skynyrd que, até mesmo a subestimada formação atual da banda seria capaz de se render a modismos ou a um pseudo-amadurecimento musical, poderíamos considerar tal previsão como uma grande bobagem. Por quê? Simplesmente pelo fato da banda nunca ter saído de um terreno seguro que, até então, não havia prejudicado nenhum dos seus trabalhos anteriores, e poderia se manter até o fim, sem soar datado ou repetitivo. Porém, quando o time continuava ganhando, eis que os mestres do southern rock resolvem arriscar...

O resultado? "God & Guns", primeiro álbum de inéditas após 6 anos de "inatividade criativa" (o último havia sido o competente "Vicious Cycle", de 2003). Como já foi dito, o septeto apostou em algo diferente dessa vez, como se quisesse experimentar um pouco do estilo "mainstream" que, de uma forma de outra, também foi influenciado pelas obras clássicas do próprio 'Skynyrd'. Por exemplo, ninguém pode dizer que uma faixa como o poderoso rock "Still Unbroken" não soa como Lynyrd Skynyrd, mesmo lembrando bastante uma espécie de Nickelback do interior dos Estados Unidos...

"Que diabos esse tal pós-grunge faz em uma obra do Lynyrd Skynyrd?", certamente será uma pergunta recorrente acerca de "God & Guns", que ainda traz outros momentos igualmente "modernosos": a pesada "Little Thing Called You", e as melódicas "Comin' Back For More" e "Storm", as quais soariam bem mais interessantes se tivessem sido concebidas por uma jovem banda do já citado pós-grunge...

E quanto aos rocks "arrasa quarteirões" e cheios daquela atitude "interiorana" do 'Skynyrd'? Pois bem, é aí que entram em cena as melhores faixas do álbum: a matadora e potencial "hit de shows" "Skynyrd Nation", a deliciosamente arrastada e sombria "Floyd", e a criativa - tanto em letras quanto arranjos - "God & Guns", que começa acústica e termina como um excelente rock!

No setor mais "suave" do álbum, temos faixas que beiram o brega, devido aos exageros de produção e influências de pop e country que acabam indo além da conta... São elas: o insosso pop/rock "Simple Life", e melosa "Unwrite that Song" e a sem graça - e ironicamente patriota - "That Ain't My America". Destaque ainda mais "especial" para o auto-plágio proposital e descarado - disfarçado de "auto-homenagem" - presente em "Southern Ways" (leia-se "Sweet Home Alabama 2 - De volta para o interior").

Ao final do álbum, temos a boa balada "Gifted Hands", uma clara homenagem ao recém-falecido tecladista Billy Powell - e tal homenagem também pode se aplicar indiretamente a outros integrantes do 'Skynyrd' que também já morreram. Porém, até mesmo essa faixa se sustenta basicamente pela sua comovente temática e por um belíssimo solo de guitarra em seu clímax.

Assim termina "God & Guns", um álbum que não chega a ser um fracasso total, mas está muito abaixo do que o Lynyrd Skynyrd - mesmo o atual - pode fazer. Agora é esperar que os talentosos Johnny Van Zant, Gary Rossington, Rickey Medlocke e companhia façam valer o trecho da faixa "Southern Ways": "leve-me de volta..."

Nota: 5

Músicas:
1. Still Unbroken
2. Simple Life
3. Little Thing Called You
4. Southern Ways
5. Skynyrd Nation
6. Unwrite that Song
7. Floyd
8. That Ain't My America
9. Comin' Back For More
10. God & Guns
11. Storm
12. Gifted Hands

3 comentários:

Felipe disse...

Ainda não ouvi esse álbum... Mas, na minha opinião, o tempo do Lynyrd Skynyrd já foi. Há anos os discos da banda apresentam uma fórmula de southern rock já esgotada em álbuns anteriores. Se há novidade no God & Guns, certamente não é coisa boa também. Enfim, apesar do talento dos músicos desta banda, está na hora de parar com os álbuns ou encontrar um novo caminho musical que não decepcione os fãs.

Nana Noleto disse...

Não acho que o tempo do Lynyrd já passou; clássico é clássico e sempre vão surgir novos fãs que vão curtir o que eles fazem. O grande problema é que quando uma banda fica muito tempo fazendo o som que gosta de fazer, dizem que ela é incapaz de mudar. Se fazem algo diferente, simplesmente não soa tão bom como sempre daí falam mal também. Ainda não ouvi o álbum mas tá na minha lista.

Anônimo disse...

eu gosto do jeito que você escreve sobre os álbuns. às vezes dá vontade de ouvir até coisas que não me interessam muito como esta banda aí. :)

ps: estou amando Muse!
bjos